Diretores

15, maio, 2009

STEVEN SPIELBERG

Dirigiu, produziu e foi produtor executivo de sete dos 20 maiores filmes de todos os tempos. Em 1994, Spielberg ganhou dois prêmios da Academia como Melhor Diretor e Melhor Filme com o internacionalmente aplaudido A Lista de Schindler (Schindler´s List), que recebeu um total de sete Oscars, honras de melhor filme concedidos pelas mais importantes organizações de críticos, sete prêmios da British Academy e recebeu também seu segundo Director´s Guild Award (DGS). O primeiro DGS foi com A Cor Púrpura (The Color Purple); anteriormente havia sido indicado com Império do Sol (Empire of the Sun), Tubarão (Jaws), Contatos Imediatos do Terceiro Grau (Close Encounters of the Third Kind), Caçadores da Arca Perdida (Raiders of the Lost Ark) e E.T. – O Extra Terrestre (E.T. – The Extra-Terrestrial). Em 1988, ganhou sua oitava indicação com Amistad, igualando-se a Alfred Hitchcock, Billy Wilder e Fred Zimmerman com o maior número de indicações na categoria de filmes.

Spielberg também foi reconhecido com indicações da Academia com E.T. – O Extra Terrestre (E.T – The Extra-Terrestrial), Caçadores da Arca Perdida (Raiders of the Lost Ark) e Contatos Imediatos de Terceiro Grau (Close Encounters of the Third Kind). É também detentor do prêmio Lifetime Achievement do Instituto Americano de Cinema e ainda do prestigioso prêmio Irving G. Thalberg, concedido pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood a produtores de filmes.

Em 1994, anunciou a criação de seu novo estúdio, o DreamWork SKG, em parceria com Jeffrey Katzenberg e David Geffen. Em 1998, dirigiu o filme O Resgate do Soldado Ryan (Saving Private Ryan), que ganhou cinco Oscars, entre eles o de melhor diretor para Spielberg. Em 2000, ele terminou de filmar A. I. – Artificial Intelligence, cujas filmagens haviam sido iniciadas por Stanley Kubrick. Seus planos para o futuro incluem a produção de MIB 2, seqüência de Men In Black, também produzido por ele, e a direção de Memoirs of a Geisha e Minority Report.

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JAMES L. BROOKS

James L. Brooks é três vezes vencedor do prêmio da Academia e treze vezes ganhador do Emmy. É o responsável por algumas das mais importantes contribuições da arte popular, no cinema e na televisão. Começou sua carreira em televisão como escritor e tornou-se o escritor criador de sucessos da TV como “Taxi”, “The Mary Tyler Moore Show,” “Rhoda”, “Lou Grant,” “Room 222″, “The Tracey Ullman Show” e “The Simpsons”. Também escreveu e produziu o filme de TV “Thursday´s Game”.

Brooks começou a trabalhar no cinema em 1979 quando escreveu o roteiro de “Starting Over” que co-produziu com Alan J. Pakula. Em 1983 escreveu, produziu e dirigiu Laços de Ternura (Terms of Endearment) quando ganhou três prêmios da Academia. Em 1987 escreveu, produziu e dirigiu Mps Bastidores da Notícia (Broadcast News) que ganhou o prêmio New York Film Critics de Melhor Filme, Escritor e Diretor. Também foi indicado para prêmios da Academia como Melhor filme e Melhor Roteiro. Através da Gracie Films, Brooks produziu A Guerra dos Roses (The War of the Roses), co-produziu com Robert Greenhut, Quero Ser Grande (Big) e foi produtor executivo de “Bottle Rocket”. Também foi produtor executivo do filme de estréia de Cameron Crowe “Say Anything” e, mais recentemente, produziu a comédia romântica de grande sucesso Jerry Maguire – A Grande Virada.

Em 1990, Brooks produziu e dirigiu sua primeira peça, “Brooklyn Laundry” uma produção de Los Angeles estrelada por Glenn Close, Woody Harrelson e Laura Dern.

Produziu duas séries novas para a ABC “The Critic”, uma série animada estrelada por Jon Lovitz e “Phenom” com Judith Light, William Devane e Angela Goethals, e escreveu e dirigiu, para Columbia Pictures, o filme Disposto A Tudo (I´ll Do Anything), com Nick Nolte, Albert Brooks e Julie Kavner.

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LUIS BUÑUEL
(Calanda, 1900- México, 1983)

Realizador do cinema espanhol. Após estudos secundários em Saragoça, vai para Madrid, onde começa por frequentar Biologia, para depois se licenciar em História. Convive com Lorca, Alberti e outros elementos da Geração de 27. Trava especial amizade com Salvador Dalí. Em 1925 instala-se em Paris, onde faz parte do grupo de escritores e artistas do movimento surrealista. Em 1928, em colaboração com Dalí, realiza o seu primeiro filme, Un chien andalou. Em 1930 roda o seu segundo filme, L´âge d´or, que provoca um grande escândalo. Na Espanha, em 1932, roda um notável documentário, Las Hurdes (Terra sem Pão). Ainda nos anos 30 trabalha uma temporada em Hollywood, trabalhando depois na Espanha como realizador e produtor de diversos filmes. Durante a guerra civil espanhola (1936-39), trabalha em Paris nos serviços de informação da República. Terminado o conflito, exila-se nos Estados Unidos, trabalhando no Museu de Arte Moderna de Nova Iorque. Até que o seu antigo amigo Dalí o acusa publicamente de ser ateu e comunista (1936-46). Instalando-se no México realiza filmes comerciais para ganhar a vida. Em 1950, ano em que com Los olvidados obtém um prémio no Festival de Cannes, volta a realizar filmes com regularidade: Ensaio de Um Crime (1956), Viridiana (1961), El ángel exterminador (1962), Diario de una Camarera (1963), A Bela de Dia (1966), La Vía Láctea (1968), Tristana, Amor Perverso (1970), O «Charme» Discreto da Burguesia (1972), O Fantasma da Liberdade (1974), são alguns dos seus principais filmes.

O cinema de Buñuel é profundamente pessoal, reflectindo a sua poderosa personalidade, que combina elementos da tradição realista ibérica com aspectos da subversão moral preconizada pelo surrealismo. Antes de morrer, dita as suas memórias, muito interessantes, recolhidas por Carriére, seu argumentista: Mi último suspiro.

Sua filmografia caracteriza-se por uma infinita ternura sob uma aparente crueldade, intrasigente e compreensico, honesto e fiel a si mesmo,à sua arte, aos seus ideais e a seus amigos. È um rebelde, difícil, apaixonado, intransigente, espanhol carnal, enfim, um dos maiores nomes do cinema.Não há nele nem zombaria nem cinismo. Ele sofre.

A respeito de Viridiana (1961): “Não sou pessimista, não sou cínico.Viridiana não é um filme anti-religioso nem político. Sou um homem que às vezes penso e tenho idéias. Coloquei-as em Viridiana. Não direi onde estão. Viridiana sou eu mesmo. É a recordaçãode coisas passadas. Coisas que aconteceram quando eu era menino, coisas que me lembro bem. Desejo que o público se associe às minhas experiências.”

“… O surrealismo de Buñuel é a pré-consciência do homem latino é revolucionário na medida em que liberta pela imaginação o que é proibido pela razão. Esta libertação não é, contudo uma fuga, mas, antes uma arma que vergasta, como o cristo de Pasolini, os símbolos da SD. Capitalista subdesenvolvido… O surrealismo em sua obra é a linguagem por excelência do homem oprimido. Eis, sem decifrar o enigma individual de Buñuel, o que me parece essencial em sua obra.? Glauber Rocha

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PEDRO ALMODÓVAR

Depois de Luis Buñuel, Pedro Almodóvar Caballero é o cineasta espanhol mais celebrado mundialmente. Rei do kitsch e mestre dos personagens pervertidos, Pedro Almodóvar tem em sua carreira uma trajetória única de talento, originalidade, ousadia e sucesso.

Nascido no interior da Espanha em 1951, Almodóvar estudou em colégio de padres antes de mudar-se sozinho para Madri aos 16 anos de idade, sem nenhum dinheiro, mas com um sonho: tornar-se cineasta. Para se sustentar, Almodóvar vendia objetos usados em brechós, até conseguir um emprego como auxiliar administrativo na Companhia Telefonica Nacional da Espanha – o que lhe permitiu comprar sua primeira câmera Super 8. Na mesma época, ele entrou para o grupo de teatro Los Goliardos, onde começou a fazer pontas em algumas peças e se tornou amigo de Carmen Maura, atriz que viria a trabalhar em seus filmes.

O primeiro longa-metragem de Amodóvar foi o trash Labirinto de Paixões, lançado em 1982 e que conta a história de um príncipe que anda pelas ruas de Madri à procura de sexo casual com homens e acaba se envolvendo com o jovem terrorista Sadec (interpretado por Antonio Banderas em início de carreira) e com a ninfomaníaca Sexília (interpretada por Cecília Roth). No ano seguinte, Almodóvar lança Maus Hábitos, em que mostra um convento de freiras drogadas e pervertidas com nomes como Irmã Esterco e Irmã Rata de Esgoto. Três anos depois, ele lança O Matador, seu primeiro grande sucesso comercial. Também estrelado por Antonio Banderas, o filme tem uma ousada trama que mistura sexo, paranormalidade e crimes hediondos.

Com o sucesso financeiro de O Matador, Pedro Almodóvar e seu irmão Augustín conseguem fundar a produtora El Deseo, cuja primeira produção é A Lei do Desejo, filme que conta a história de Pablo, um diretor de teatro gay que se envolve com um assassino enquanto cria uma peça para ser estrelada por Tina, sua irmã transexual que mudou de sexo para manter um caso incestuoso com o pai.

No final dos anos 80, Almodóvar lança o filme Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos, que recebe mais de cinqüenta prêmios e é indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro, tornando-o conhecido mundialmente. Seus filmes seguintes começam a mostrar uma produção mais delicada e gradativamente menos chocante, porém sempre com cenários e figurinos ultra-kitsch e com personagens que desafiam a moral hipócrita da sociedade, pois além de gays, lésbicas, travestis e transexuais, os filmes de Almodóvar geralmente mostram também personagens criminosos, drogados e doentes mentais.

Almodóvar já ganhou dois Oscars: melhor filme estrangeiro de 1999 por Tudo Sobre Minha Mãe e melhor roteiro original de 2002 por Fale com Ela, filme pelo qual também foi indicado ao Oscar de melhor diretor do ano. Seu novo filme, ainda inédito no Brasil, chama-se Má Educação (La Mala Educación) e mostra a história de dois garotos gays que estudam em um colégio católico nos anos 60 e que sofrem assédio sexual dos padres. O sexo, aliás, está sempre presente como parte essecial das tramas dos filmes de Almodóvar, que mostram sem preconceito todas as formas de amor – e também de perversão.

Os filmes de Almodóvar disponíveis no Brasil são: Fale com Ela (Hable com Ella, 2002), Tudo Sobre Minha Mãe (Todo Sobre Mi Madre, 1999), Carne Trêmula (Carne Trémula, 1997), A Flor do Meu Segredo (Flor de mi Secreto, 1995), Kika (1993), De Salto Alto (Tacones Lejanos, 1991), Ata-me (Átame, 1990), Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos (Mujeres al Borde de un Ataque de Nervios, 1988), A Lei do Desejo (La Ley del Deseo, 1987), O Matador (Matador, 1986), Maus Hábitos (Entre Tinieblas, 1983) e Labirinto de Paixões (Laberinto de Pasiones, 1982).

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SUZANA AMARAL

Diretora brasileira de grande sucesso internacional, seu filme mais representativo: ?A Hora da Estrela?, inspirado na obra de Clarice Lispector foi o mais premiado da história do Festival de Brasília a produção acumulou 12 troféus – entre eles, melhor filme, direção, ator (José Dumont) e atriz (Marcélia Cartaxo, vencedora também de um Urso de Prata de interpretação no Festival de Berlim daquele ano).

Suzana formou-se na primeira turma de Cinema da USP e complementou a carreira em Nova York. Começou a filmar na década de 70, dirigindo curtas e documentários, como “Sua Majestade Piolim” e “Semana de 22″. Em 1974, foi produtora e diretora da TV Cultura, onde produziu, em 1979, “Minha Vida Nossa Luta”, sobre as mulheres da periferia. Logo em seguida a diretora ingressou na direção de longas-metragens, com “A Hora da Estrela” que revelou a atriz Marcélia Cartaxo, premiada com o Urso de Prata de melhor atriz no Festival de Berlim de 1986. – Mas, engana-se quem pensa que Suzana ficou parada durante este hiato entre seus dois longas. Devido a bem sucedida carreira de ?A Hora da Estrela?, a diretora viajou alguns anos, por 25 países, para divulgar o filme. Além disso, ela escreveu cinco roteiros e produziu filmes para a emissora de TV portuguesa RTP.

Mais uma Mais uma vez, Suzana volta à literatura como fonte de inspiração. No ano de 2002 Suzana Amaral lança o premiado “Uma Vida em Segredo” adaptado de um romance do goiano Autran Dourado. E novamente a critica reconhece o excelente trabalho da cineasta. A produção recebeu 5 indicações ao Grande Prêmio Cinema Brasil, nas seguintes categorias: Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Figurino, Melhor Maquiagem, Melhor Direção de Arte e Melhor Fotografia.

O filme conta a história de Biela (Sabrina Greve), moça interiorana e primitiva que fica órfã e herda muitas terras. Sem traquejo cultural nem social para administrar o próprio patrimônio, ela vai viver na cidade, na casa de um casal de primos (Cacá Amaral e Eliane Giardini). Biela então entra em contato com um mundo completamente diverso, e passa a lutar para permanecer fiel à sua própria maneira de ver as coisas. É uma tragédia em dois atos. No primeiro, não faltam momentos de humor, escudados no visível desajeitamento de Biela para entrar em figurinos que não poderiam ser piores para sua figura longilínea ao extremo. Mais desencontrados ainda são os esforços da matuta para encaixar-se na expectativa social dos parentes, aonde não falta a aproximação com um noivo em potencial (Eric Nowinski). Nesse embate entre criador e criatura, que lembra o tema de Pigmalião, de Bernard Shaw, pode-se enxergar também o paradigma de Biela, que representa um sertão selvagem que deve ser civilizado a qualquer preço.

Filmografia:
2004 – Perto do Coração Selvagem
2002 – Uma Vida em Segredo
1985 – A Hora da Estrela
1971 – Sua Majestade, Piolim
1968 – Semana de 22

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GLAUBER ROCHA

(Vitória da Conquista, BA, 1939 – Rio de Janeiro, RJ, 1981).

Líder do movimento Cinema Novo, que mudou os rumos do cinema brasileiro na década de 1960 ao renegar a estrutura cinematográfica norte-americana, buscando uma linguagem própria. Diretor de três filmes polêmicos ? Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964), Terra em Transe (1967) e O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro (1969) ?, abordou questões sociais, políticas e religiosas do Brasil moderno em uma linguagem ao mesmo tempo lírica e violenta.

Glauber Rocha nasceu no dia 14 de março de 1939. Recebeu educação presbiteriana da mãe, mas fez seus primeiros estudos em um colégio católico de sua cidade natal. Em agosto de 1947, mudou-se com sua família para Salvador, onde foi matriculado em uma escola presbiteriana, tendo recebido uma rígida educação religiosa.

Nessa fase, Glauber teve suas primeiras experiências com teatro amador (como roteirista ou como ator). Aos 13 anos, participou do programa de rádio Cinema em Close-up. A partir de então, passou a se envolver cada vez mais com a sétima arte. Aos 15 anos, ingressou no Círculo de Estudo, Pensamento e Ação (CEPA).

A partir de 1955, passou a fazer parte do grupo Jogralescas Teatralização Poética, que adaptava poesias nacionais para o teatro. No ano seguinte, participou da produção do filme de Luiz Paulino dos Santos Um Dia na Rampa.

Viajou para Belo Horizonte e Rio de Janeiro, onde apresentou a alguns intelectuais seu projeto para a criação de uma linguagem cinematográfica brasileira, a base do que viria a ser o Cinema Novo. Chamado de visionário,voltou para Salvador e iniciou seus trabalhos como repórter. Começou na seção policial do Jornal da Bahia. Em seguida, passou a escrever artigos sobre cinema no Suplemento Literário, do qual acabou se tornando diretor algum tempo depois.

Iniciou a carreira de cineasta em 1959, com o documentário O Pátio, que havia começado a produzir dois anos antes. Em 1960, começou a filmar A Cruz na Praça, mas nunca chegou a conclui-lo. Em 1961, concluiu seu primeiro longa-metragem, Barravento, que recebeu, no ano seguinte, o Prêmio Opera Prima do Festival Internacional de Cinema de Karlovy Vary, na então Tchecoslováquia. O filme também foi exibido no Festival de Sestri Levanti (Itália, 1962), no Festival de Cinema de Londres (1963) e no Festival de Cinema de Nova York (1963).

Em 1964 lançou um dos filmes mais representativos do Cinema Novo, Deus e o Diabo na Terra do Sol, que foi premiado no Festival Internacional de Acapulco, no México, e no Festival de Cinema Livre de Porretta Terme, na Itália. O filme consagrou Glauber Rocha, que se tornou o cineasta brasileiro de maior prestígio internacional.

Em 1965, lançou seu primeiro filme colorido, Amazonas, Amazonas. No mesmo ano, após participar de uma manifestação contra a ditadura, foi preso com outros intelectuais, como Carlos Heitor Cony, Joaquim Pedro de Andrade e Márcio Moreira Alves. Em 1966, ajudou a produzir A Grande Cidade, de Cacá Diegues. Ainda nesse ano, lançou o curta-metragem Maranhão 66.

Glauber concluiu Terra em Transe em 1967. O filme retrata a luta pelo poder e a miséria material, cultural e moral na América Latina. Considerado subversivo, o filme teve sua exibição proibida no Brasil durante um mês. Foi liberado somente depois que o padre anônimo, personagem interpretado por Jofre Soares, recebeu um nome. Terra em Transe conquistou diversos prêmios: o Luis Buñuel, do Festival de Cannes; o Golfinho de Ouro do Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro; os prêmios da Federação Internacional de Imprensa Cinematográfica; do Festival de Cinema de Juiz de Fora; e do Festival Internacional do Filme de Locarno, na Suíça. Em 1969, concluiu O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro, com o qual recebeu o prêmio de melhor diretor do Festival de Cannes. Além deste, o filme conquistou outros prêmios no Brasil e no exterior.

Em 1977, já de volta ao Brasil, lançou o documentário Di Cavalcanti, mostrando o velório e o enterro do pintor. O filme foi proibido de ser exibido pela Justiça a pedido de Elizabeth, filha única de Di Cavalcanti. No ano seguinte, o documentário ganhou o prêmio especial do júri no Festival de Cannes. Ainda em 1978, publicou o romance Riverão Sussuarana.

Seu último filme, A Idade da Terra, foi lançado em 1980. A produção foi duramente criticada durante a Mostra Internacional de Cinema de Veneza. Glauber ficou extremamente irritado com as críticas e atacou a direção do festival. Por seu comportamento agressivo, o filme não foi convidado para o Festival de Cinema de Biarritz, na França.

Em 1981, Glauber viajou para Roma e Paris, partindo em seguida para Sintra, em Portugal. Lá, apresentou problemas pulmonares e foi internado em um hospital perto de Lisboa. Em 21 de agosto desse mesmo ano, voltou para o Brasil e instalou-se em sua residência no Rio de Janeiro. Faleceu no dia seguinte.

O cineasta foi homenageado em vários festivais de cinema do Brasil e do exterior. Diversos países promoveram mostras de sua obra. Em 1983, as obras de Glauber foram abrigadas em uma sala do Museu da Imagem e do Som, no Rio de Janeiro. O acervo recebeu o nome de Tempo Glauber. Em 1989, essa mostra foi instalada permanentemente em uma casa no bairro carioca de Botafogo.

No ano de 2003 Silvio Tendler começa a anunciar o lançamento de um documentário sobre o cineasta. Segundo ele, foram 21 anos de espera até que pudesse lançar ?Glauber ? O Filme, Labirinto do Brasil?, um filme funeral que relata a morte em 1981 de Glauber Rocha. O tempo de espera se deu, pois o projeto só pode ser viabilizado após a liberação da família. O filme tem previsão de estréia para o segundo semestre de 2004. . Além dos registros do velório e do enterro no Cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro, em material de arquivo fotografado por Walter Carvalho e Fernando Duarte, o filme traz depoimentos recentes, que ajudam na compreensão do mito Glauber. Entre os depoentes, estão Arnaldo Jabor, Darcy Ribeiro, José Celso Martinez Corrêa, Nélson Pereira dos Santos, João Ubaldo Ribeiro, Nélson Motta, Paulo César Saraceni, Fernando Birri, entre outros.

FILMOGRAFIA
Pátio, curta-metragem. p&b. 1959
Cruz na Praça, curta-metragem. p&b. 1959
Barravento, longa-metragem. p&b 1961
Deus e o Diabo na Terra do Sol. p&b. 1964
Amazonas Amazonas, curta-metragem. cor. 1966
Maranhão 66. Curta-metragem. p&b. 1966
Terra em Transe, longa-metragem. p&b. 1967
1968. média-metragem. p&b. 1968
O Dragão da maldade Contra o Santo Guerreiro, longa-metragem. cor. 1969
O Leão de Sete Cabeças (Der Leone Have Sept Cabeças), longa-metragem, cor. 1970
Cabeças Cortadas (Cabezas Cortadas), longa-metragem, cor. 1970
Câncer, média-metragem. p&b. 1972
História do Brasil, longa-metragem, p&b. 1974
As Armas e o Povo, média-metragem, p&b. 1975
Claro, longa-metragem, cor. 1975
DI, curta-metragem. cor. 1977
Jorjamado no Cinema, média-metrage. Cor. 1977
A Idade da Terra, longa-metragem, cor. 1981

BIBLIOGRAFIA
Livros de Glauber Rocha:
Revolução do Cinema Novo. Alhambra/Embrafilme. Rio de Janeiro.1981.
O século do Cinema. Alhambra. Rio de Janeiro. 1985.
Roteiros do Terceyro Mundo. Org. Orlando Senna. Embrafilme e Alhambra. Rio de Janeiro. 1985.
Revisão Crítica do Cinema Brasileiro. Ed. Civilização Brasileira. Rio de Janeiro. 1963
Riverão Sussuarana (romance). Ed. Record. Rio de Janeiro. 1978
Cartas ao Mundo. Glauber Rocha. Organização e apresentação: Ivana Bentes. Companhia das Letras. 1997.

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