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Arquivo de setembro, 2013

CINE VÍDEO – PROGRAMAÇÃO DE SETEMBRO DE 2013

18, setembro, 2013

Cine Clube de Lorena – fundado em 15 de setembro de 1964
49 ANOS divulgando a Sétima Arte

setembro cine CINE VÍDEO   PROGRAMAÇÃO DE SETEMBRO DE 2013

“A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso.

A palavra foi feita para dizer.”

Graciliano Ramos em entrevista a Joel Silveira, 1948

“…. Após muitas tentativas acabei chegando à conclusão de que o livro, que até então era somente ‘para consulta’, era o filme que pretendia escrever.”

“Posso afirmar que “aprendi” a fazer filmes em preto e branco com Vidas secas [1963] – uma experiência fotográfica…”.

Nelson Pereira dos Santos

DIA: 13/09/13 (sexta-feira)

FILME: VIDAS SECAS ( Brasil,1963 – 103 min)

DIRETOR: Nelson Pereira dos Santos

COMENTÁRIO: Pressionados pela seca, uma família de retirantes composta por Fabiano, Sinhá Vitória, o menino mais velho, o menino mais novo e a cachorra Baleia, atravessam o sertão em busca de meios para sobreviver. Baseado no livro homônimo de Graciliano Ramos foi o único filme brasileiro a ser indicado pelo British Film Institute como uma das 360 obras fundamentais em uma cinemateca.

VIDAS SECAS CINE VÍDEO   PROGRAMAÇÃO DE SETEMBRO DE 2013

DIA: 20/09/13(sexta-feira)

FILME: SÃO BERNARDO (Brasil, 1972 – 113 min)

DIRETOR: Leon Hirszman

COMENTÁRIO: Baseado no romance de Graciliano Ramos e com trilha sonora de Caetano Veloso, o filme acompanha a trajetória de Paulo Honório, um modesto caixeiro-viajante que enriquece, valendo-se de métodos violentos, compra a fazenda S. Bernardo e contrata casamento com Madalena, a esclarecida professora da cidade. O conflito se estabelece quando Madalena não aceita ser tratada como propriedade. Com atuações marcantes de Othon Bastos e Isabel Ribeiro, o filme, tornou-se um clássico do cinema brasileiro.

SÃO BERNARDO CINE VÍDEO   PROGRAMAÇÃO DE SETEMBRO DE 2013

DIA:27/09/13 (sexta-feira)

FILME: MEMÓRIAS DO CÁRCERE (Brasil, 1984 -187 min)

DIRETOR: Nelson Pereira dos Santos

COMENTÁRIO: A vida de Graciliano Ramos que, em 1936, ocupou o cargo público de diretor de instrução do Estado de Alagoas e na fase do Estado Novo (1937-1945) foi preso por causa das suas convicções políticas. O filme expõe um período desagradável na história do Brasil dentro de uma perspectiva pessoal. “Memórias do Cárcere” é um grande clássico do cinema brasileiro.

MEMORIAS DO CARCERE CINE VÍDEO   PROGRAMAÇÃO DE SETEMBRO DE 2013

ENTRADA FRANCA -19h

NOTÍCIA: Vem aí a 9ª edição do CINEFEST/LORENA – Prêmio Gato Preto – festival de cinema amador e a 18ª edição do Cinema Criança. OUTUBRO, mês do Cinema em Lorena. Aguarde!

Dra.Olga de Sá
Presidente do Cine Clube
Vice Diretora da FATEA

Olga Arantes Pereira
Diretora do Cine Clube

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Resenha do Cinéfilo- Setembro – Vidas secas

16, setembro, 2013

Vidas secas  (Brasil, 1963)

Direção: Nelson Pereira dos Santos

Elenco Principal: Átila Iório ( Fabiano), Genivaldo Lima, Gilvan Lima, Orlando Macedo ( soldado amarelo), Maria Ribeiro ( Sinhá Vitória), Jofre Soares (fazendeiro), Pedro Santos, Maria Rosa, José Leite, Antônio Soares.

Prêmios: Festival de Cannes 1964 (França) recebeu o Prêmio do OCIC e o prêmio dos cinemas de arte. Foi indicado à Palma de Ouro. Resenha de Cinema de Gênova 1965 (Itália) – Foi considerado o melhor filme daquele ano.

VIDAS SECAS Resenha do Cinéfilo  Setembro   Vidas secas

Transpor palavras de um livro para imagens em movimento não é uma tarefa fácil. Poucos conseguem fazer isso, combinando fidelidade ao texto original e apuro estético na concepção da obra final.

Em 1963 essa tarefa de poucos, foi realizada por Nelson Pereira dos Santos com “Vidas secas”, roteiro baseado no livro homônimo de Graciliano Ramos. De acordo com os letreiros iniciais, as filmagens foram em Minador do NegrãoPalmeira dos Índios, sertão de Alagoas.

O cineasta: Nelson Pereira dos Santos é um dos grandes nomes do cinema brasileiro, pertencente à geração do Cinema Novo, cujo movimento é conhecido pelo lema “uma ideia na cabeça e uma câmera na mão”, criado no início da década de 1960. Neste filme, fica perceptível a influência marcante do neorrealismo italiano e o filme se tornou um dos mais conhecidos do movimento, que abordava problemas sociais do Brasil.

“Vidas secas” foi o único filme brasileiro a ser indicado pelo British Film Institute como uma das 360 obras fundamentais em uma cinemateca.

O livro/filme conta a história de uma família de retirantes nordestinos, composta por Fabiano, sua mulher Sinhá Vitória e seus dois filhos. Além destes, completam marginalmente a família, a lendária cachorra Baleia e um papagaio.

Após contínua e exaustiva caminhada pela área nordestina, encontram uma fazenda abandonada, a qual futuramente passará a ser a moradia temporária do grupo. Fabiano consegue um emprego de vaqueiro e a família se vê instalada nas mediações da fazenda. A região parece amaldiçoada, seria o Inferno? Muita pobreza, seca, fome, além de outros problemas agravam a vida de um homem, ignorante sem igual, analfabeto, humilde, ingênuo que no final das contas, a única coisa que quer é um meio digno para sobreviver em meio a terra do sol. Contexto típico de muitos nordestinos, história comum a milhões de brasileiros, que depois de muita procura e tentativas pelo sertão, partem para o sul em busca de uma vida melhor.

O ano em que a história da obra se passa, 1941 a 1942, ajuda a reforçar o apelo do filme sobre outros países. Enquanto os europeus sofriam terrivelmente, por causa da guerra, os brasileiros também sofriam terrivelmente, mas sem ter uma guerra; é apenas o cotidiano daquelas pessoas: sofrer.

Mas junto com todo o sofrimento, o filme trata, acima de tudo, da esperança. Começa com as personagens viajando, na esperança de melhores condições de vida, e termina nessa mesma esperança, mostrando que mesmo nesse cenário desolador, “esquecido por Deus”, é necessário sempre sonhar para poder seguir em frente.

O filme utiliza pouquíssimos diálogos, planos longos e lentos, focado na vida familiar e no convívio social. Fotografia em preto e branco, característica que nos deixa com mais contraste a caatinga nordestina, enaltecendo a violência do sol. O filme trata basicamente do sofrimento das pessoas, da miséria e da condição desumana em que vivem. Um detalhe importante para o entendimento do filme é uma analise semiótica sobre a cachorra Baleia, primeira personagem a aparecer no filme e de certo modo, a mais inteligente e humana da obra. Membro essencial da família, uma das únicas diversões aparentes dos meninos, Baleia é bastante discriminada, fica sempre com os restos de comidas, e se contenta com pouco. Ao final, muito magra e sem pelo tem um fim trágico, polêmico e muito triste.

O livroGraciliano Ramos começou a conceber o livro depois de escrever Baleia, inicialmente um conto publicado em jornal, que foi bem recebido.

O romance é narrado em terceira pessoa e como o autor não dá nenhuma localização temporal, podemos dizer que “Vidas secas” é uma obra atemporal, clássica, jamais envelhecerá. A escolha do foco narrativo em terceira pessoa é emblemática, uma vez que esse é o único livro em que Graciliano Ramos utilizou tal recurso. Trata-se, na verdade, de uma necessidade da narrativa, para que fosse mantida a verossimilhança da obra. Por causa da paupérrima articulação verbal das personagens, reflexo das adversidades naturais e sociais que as afligem, nenhum parece capacitado a assumir o posto de narrador.

O autor utilizou também o discurso indireto livre, forma híbrida em que as falas das personagens se mesclam ao discurso do narrador em terceira pessoa. Essa foi a solução para que a voz dos marginalizados pudesse participar da narração sem que tivessem de arcar com a responsabilidade de conduzir, de forma integral, a narrativa.

O romance apresenta uma estrutura narrativa que pode ser considerada aberta. Graciliano Ramos não é um narrador que conta apenas os fatos que acontecem. Ele dá voz às personagens para que cada um – inclusive os animais – se coloque enquanto indivíduo naquele meio adverso.

Daí se dizer que os animais são humanizados, já que colocam a sua visão com relação a sua condição “humana”. Em contrapartida, as personagens são animalizadas. Incapazes de articular seus pensamentos, podem ser facilmente comparadas a um papagaio, que só reproduz. Quando Sinhá Vitória mata o papagaio para que a família o comesse, eles estariam comendo, um semelhante, um igual.

A descrição se sobrepõe à narração e esta ao diálogo. As personagens pouco falam e, quando falam, geralmente têm seu discurso diluído no do narrador, num discurso indireto livre. Comunicam-se ainda menos. Não são raras às vezes em que há fala, mas a comunicação é nula. Isso acontece quando o Soldado Amarelo dá a Fabiano ordens que ele não entende (causando a prisão do mesmo por motivos que o próprio não compreende), quando Vitória diz a um dos seus filhos que “inferno” é uma palavra feia e ele ganha mais admiração pelo lexema por ser uma palavra bonita e ao mesmo tempo ruim. Compreender um ao outro é o que parece ser de menor importância, pois tudo que lhes é necessário é uma questão de sobrevivência acima de convivência.

Dividido em 13 capítulos independentes, que não apresentam ligação formal entre si, apenas temática, “Vidas secas” (1938) chegou a ser chamado por Rubem Braga de “romance desmontável”. Os títulos dos capítulos são objetivos, assim como é objetivo o próprio título da obra, que possibilita uma leitura no sentido próprio de complementar, sem deixar de ser antagônica. Assim, há capítulos intitulados como Mudança, Cadeia, Festa, O soldado amarelo, O mundo coberto de penas.

Graciliano, além de ser considerado, por grande parte da crítica, como o nosso melhor romancista moderno, é tido como o autor que levou ao limite o clima de tensão presente nas relações homem/meio natural, homem/meio social, capaz de transformar culturas. Foi maior que seus contemporâneos porque preferiu a síntese ao expositivo, o psicológico ao social. Nas palavras do crítico Antônio Candido, “achou a condição humana intangível na criatura mais embrutecida”. A aversão ao desleixo formal distanciou Graciliano de certa corrente modernista. Na técnica, o escritor firmou-se como herdeiro do realismo psicológico machadiano.

Por um lado, o cunho social de “Vidas secas” lhe garantiu afinidade com outros preceitos da Semana de Arte Moderna de 1922, que descrevia a realidade do país tornando protagonistas certos tipos brasileiros. Por outro lado, Graciliano encontrou insatisfação entre companheiros políticos. Teve inúmeros atritos com membros do Partido Comunista (ao qual, apesar disso, ele mesmo viria a se filiar em 1945), que viram como negativa a atitude “subserviente” de Fabiano ao ser preso pelo soldado amarelo, personagem – alegoria do Estado.

Mas Graciliano não se rendeu às críticas e manteve sua prosa a salvo do discurso pobre que servia de base à literatura engajada. “Vidas secas”, publicado em 1938, tem no “espaço” o elemento a estruturar a história, uma vez que é em função dele que as personagens são o que são e que toda a trama se desenrola. Espaço e indivíduo estão estritamente ligados – o espaço aparece como ambiente que condiciona a personagem e ao qual a personagem reage. A luta pela sobrevivência, os modos de ser, as condições precárias de existência nordestina, são contadas de forma coesa. O escritor não deixa as personagens serem vistas apenas como tipos representativos de um problema social, mas como pessoas reais, que são transformadas culturalmente por meio das agruras do Nordeste.

Graciliano quer contar uma história, não criar herois. Não se trata de gente melhor ou pior que qualquer outro sertanejo que por ali vivesse. Eles lutam contra o chão, o sol, contra a própria ignorância, a desonestidade dos ricos, contra a tristeza e, principalmente, contra a miséria. Fabiano nem sabe conversar. Quando tem que falar, se confunde, se atrapalha, tenta emular, sem sucesso, o discurso de um compadre esclarecido. Quando fala à mulher, é com interjeições monossilábicas. O estilo seco de Graciliano Ramos, que se expressa principalmente por meio do uso econômico dos adjetivos, parece transmitir a aridez do ambiente e seus efeitos sobre as pessoas que ali estão.

Graciliano Ramos – (1892-1953) nasceu em Quebrângulo, Alagoas. Estudou em Maceió, mas não cursou nenhuma faculdade. Após breve estada no Rio de Janeiro como revisor dos jornais “Correio da Manhã” e “A Tarde”, passou a fazer jornalismo e política, elegendo-se prefeito em 1927. Foi preso em 1936 sob acusação de comunista e nesta fase escreveu “Memórias do Cárcere”, um sério depoimento sobre a realidade brasileira. Depois do cárcere morou no Rio de Janeiro. Em 1945, integrou-se no Partido Comunista Brasileiro. Graciliano estreou em 1933 com “Caetés”, mas é “São Bernardo”, verdadeira obra prima da literatura brasileira. Depois vieram “Angústia” (1936) e “Vidas secas” (1938) inspirando-se em Machado de Assis.

“Vidas Secas” figura entre os livros mais importantes da literatura brasileira, tendo ganhado, em 1962, o prêmio da Fundação William Faylkner (EUA) como livro representativo da Literatura Brasileira Contemporânea. Também conquistou um enorme público, tendo vendido até então mais de um milhão e meio de exemplares, enquanto é leitura obrigatória em muitos vestibulares. O cineasta Nelson Pereira dos Santos realizou uma bem-sucedida versão homônima de Vidas Secas em 1963, reforçando aspectos atuais do país.

Enquanto “Vidas secas” é um ícone do cinema nacional, um filme indispensável para qualquer amante da sétima arte, uma sucessão de acontecimentos que consegue, de  forma única, tocar qualquer um que o assista, o livro é daqueles para ser lido e relido, para ser apreciado a cada frase. Nada ali está por acaso, e depois de 75 anos, o romance está ainda mais forte. Trata-se de um clássico da literatura. Vale a pena conferir!

Olga Arantes

“O sertão mandaria para a cidade homens fortes, brutos, como Fabiano, Sinhá Vitória e os dois meninos.”
Graciliano Ramos


REFERÊNCIAS:

Ramos, Graciliano. Vidas secas. Ed.Record,2003 (publicado originalmente em 1938)
omundodoscinefilos.blogspot.com/…/passar-um-livro-para-as-telas-nao-e…
www.ligadosfm.com/2012/04/19-resenha-critica-vidas-secas.html
www.cineplayers.com/critica.php?id=978
graciliano.com.br/site/…/filme-vidas-secas-1963-nelson-pereira-dos-sant…
www.adorocinema.com › Filmes

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CINE VÍDEO – PROGRAMAÇÃO DE AGOSTO DE 2013

3, setembro, 2013

Cine Clube de Lorena – fundado em 15 de setembro de 1964

49 ANOS divulgando a Sétima Arte

O encantamento da literatura é quando um bom encontro favorece a formação da identidade  daquele que, casualmente, se torna seu mentor.

DIA: 23/08/2013 (sexta-feira)

FILME: O LEITOR (EUA/Alemanha,2009 – 123 min)

DIRETOR: Stephen Daldry

COMENTÁRIO: O filme conta, em três partes, a história do relacionamento amoroso de um adolescente com uma mulher mais velha. Durante os encontros amorosos, ela sempre pede que ele leia romances para ela. Repentinamente, ela some de sua vida. Ele vai reencontrá-la muitos anos depois, em uma situação surpreendente, quando passa a compreender sua história. O Leitor nos levará a questionar todas as nossas mais profundas verdades.

O Leitor CINE VÍDEO   PROGRAMAÇÃO DE AGOSTO DE 2013

DIA: 30/08/2013 (sexta-feira)

FILME: ENCONTRANDO FORRESTER (EUA,2000 – 135 min)

DIRETOR: Gus Van Sant

COMENTÁRIO: Forrester (Sean Connery) é um escritor recluso que já não escreve nada há décadas, desde que ganhou um prêmio Pulitzer. Jamal (Rob Brown) é um afrodescendente de 16 anos que consegue entrar numa escola de elite em Manhattan, mas tem dificuldades em se adaptar ao novo ambiente. Os dois acabam se conhecendo e a paixão pela literatura os aproxima.

Encontrando Forrester CINE VÍDEO   PROGRAMAÇÃO DE AGOSTO DE 2013

ENTRADA FRANCA – HORÁRIO: 19 horas

NOTÍCIA: Vem aí a 9ª edição do CINEFEST/LORENA – Prêmio Gato Preto – festival de cinema amador e  a 18ª edição do Cinema Criança. OUTUBRO, mês do Cinema em Lorena. Aguarde!

Dra.Olga de Sá
Presidente do Cine Clube
Vice – Diretora da FATEA

Olga Arantes Pereira
Diretora do Cine Clube

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