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Arquivo de outubro, 2012

Sinopse do mês de Outubro – A invenção de Hugo Cabret

19, outubro, 2012

A Invenção de Hugo Cabret. (EUA, 2011)

Direção: Martin Scorsese
Roteiro: John Logan, com base no livro de Brian Selznick.
Elenco: Asa Butterfield, Chloë Grace Moretz, Ben Kingsley, Sacha Baron Cohen, Emily Mortimer, Ray Winstone, Christopher Lee, Richard Griffiths, Frances de la Tour, Michael Stuhlbarg, Helen McCrory e Jude Law.                                                              Prêmios: indicado a 11 Oscar ( na 84ª cerimônia) ganhou  cinco prêmios nas categorias efeitos visuais, mixagem de som, edição de som, fotografia e direção de arte.

“A invenção de Hugo Cabret” traz a clara mensagem de que o tempo é implacável, mesmo para aqueles que fizeram história, e tiveram grande destaque no que realizaram. Mostra o quanto a fama é descartável, perecível e ingrata, e como acontecimentos da vida (no caso do filme, a guerra) podem fazer com que todo um árduo trabalho feito com dedicação e amor seja esquecido facilmente pelas pessoas.                           Baseado no livro de Brian Selznick, “A Invenção de Hugo Cabret” é uma obra prima que mostra muito o valor de todo tipo de filme que é feito e que à sua maneira, envolve o público falando de épocas e sonhos que fizeram dessa arte uma das mais adoradas.                                                                                                                         O roteiro de John Logan passa uma mensagem bonita sobre as produções cinematográficas de antigamente. A parceria entre o cineasta Martin Scorsese e o designer de produção Dante Ferretti é marcada por trabalhos cênicos estilizados e bem realizados, que mergulham o espectador no universo pretendido pelo diretor.

No filme a cidade é retratada em tom de fábula, com cores ricas e quentes e, parecendo iluminada a lamparinas a óleo. Um trabalho de design de produção

meticuloso e deslumbrante, rico em detalhes.

“A Invenção de Hugo Cabret”, nos minutos iniciais da película, mostra toda a bela ambientação com uma varredura panorâmica de uma Paris iluminada seguida de um passeio da câmera pela estação de trem, seus interiores escondidos e as engrenagens de seus relógios.

Feita a ambientação somos apresentados ao menino Hugo Cabret. Ele mora nas galerias ocultas da estação, sobrevive de pequenos furtos e passa boa parte do tempo tentando evitar as investidas do Inspetor do lugar e seu cão de guarda. Está ali desde que seu pai morreu em um incêndio, o que o obriga a viver com seu tio beberrão que cuida dos relógios do local. Tudo o que o pai lhe deixou foi um estranho “autômato”, um boneco mecanizado que tentavam consertar juntos.

Hugo, pelas frestas do relógio, como um projecionista enxerga um filme pela sua cabine, vê o flerte do guarda com a florista, os olhares dos idosos e seus cães,  órfãos perseguidos pela polícia – compreensivelmente, a Paris de Scorsese é a Cidade Luz mítica, dos apaixonados e dos pequenos delinquentes autodidatas.

Sempre fugindo do inspetor que controla a estação, Hugo acaba sendo envolvido em um mistério que abarca seu falecido pai e um comerciante, dono de uma loja de brinquedos. Com a ajuda de sua nova amiga Isabelle, irá tentar desvendar esse grande enigma, que passa e muito pela história da sétima arte.

Cinema é luz, e tudo reflete luz neste filme, e Scorsese deve ter escolhido o garoto Asa Butterfield para protagonizá-lo porque, com seus olhos azuis gigantes, o menino talvez seja capaz de absorver mais dessa luz do que qualquer pessoa.
Na busca obsessiva de engrenagens que farão o robô voltar a funcionar, Hugo se confronta com um homem velho e amargo que dirige uma loja de brinquedos. O velho tem uma neta, que leva Hugo a descobrir um componente importante para seu autômato. Daí em diante os dois jovens aventureiros acabam se deparando com um segredo há muito esquecido, que lança nova luz sobre o passado do avô da menina e os levará à história de George Méliès e o nascimento do próprio cinema.

Sendo contada do ponto de vista do garoto, o filme propositalmente adota um olhar inocente, doce, mas sofrido, sobre os acontecimentos que passam pela vida de Hugo, mostrando todas essas emoções de forma bastante intensa, como uma criança veria.

E é com esse olhar que Scorsese mostra todo o seu carinho e admiração pela sua profissão, e por aqueles que a ajudaram a se tornar o que ela é hoje. Além disso, o filme é, ao mesmo tempo, uma aula e uma homenagem ao cinema. Começando pelos irmãos Lumière e seu “show de mágica” com “A chegada do trem na estação” (1896) que apavorava o público, causando a ilusão de que o trem iria na direção da plateia, passando por um delicioso momento de “O Homem mosca” (1923), além de “O Garoto” (1921), “A General” (1927) e outros.

Fica claro como Scorsese respeita e admira esses filmes, por suas qualidades e importância. Ao mesmo tempo, mostra a necessidade de valorizar os grandes nomes do passado, e destacar o seu valor e sua importância para a arte como ela é hoje. Como na cena em que um admirador de Méliès vai à casa dele e diz à sua mulher como o seu marido havia sido importante para ele na sua infância, e vemos o olhar emocionado dela, apresentando sincera gratidão por um agradecimento cada vez mais raro em dias como aqueles, tantos anos depois dos seus momentos de glória.                                                                                                                        Tecnicamente o filme também é brilhante. Apresentando cenários bem desenvolvidos e ricos em detalhes, o filme tem uma primorosa direção de arte, que retrata bem a Paris da década de 30. A fotografia também se mostra competente trazendo um interessante paradoxo entre o tradicionalismo do início do cinema e a tecnologia do cinema atual.

Demonstrando completo domínio da nova linguagem, Scorsese utiliza o 3D não como um arroubo estético, mas como uma maneira de contar histórias. Com uma apresentação inicial completamente sem falas, o diretor passeia com sua câmera pelo belíssimo cenário principal, aproveitando cada detalhe do caprichado design de produção. Reparem, por exemplo, como o cineasta opta por filmar diversos planos em plongée, “diminuindo” assim seu protagonista, perdido em meio a cenários imensos. O diretor trabalha cada detalhe de seu filme, tendo criado vários cenários em tamanho real para afastar a sensação de muitos efeitos especiais. Mas, mesmo assim, o filme é recheado de efeitos e todos eles incrivelmente bem feitos e de tal maneira costurados, dentro do filme, que fica difícil dizer quando acaba a realidade e começa a mágica.
Aliás, “mágica” é mesmo a palavra de ordem nesse filme. Dos momentos iniciais em que a câmera faz enormes e longos travellings por cada mínimo detalhe da estação de trem até os minutos finais da trama.                                                                                  Quem não conhece Méliès (1861-1938) terá em Hugo Cabret, antes de mais nada, uma tocante introdução aos filmes do diretor de Viagem à Lua (1902). Enquanto os irmãos Lumière, criadores do cinematógrafo, filmavam banalidades do cotidiano em seus curtas, Méliès, veterano do teatro de variedades, levou para o cinema seus espetáculos de ilusionismo. Com seus truques de montagem e encenação, o francês foi pioneiro não só nos efeitos visuais como originou, com sua produção de mais de 500 filmes, toda a ideia do cinema como uma fábrica de sonhos.

Neste outubro de 2012, O Cine Clube de Lorena dedica suas atividades ao cinema. Ao lado de um Festival de cinema Amador (Gato Preto), uma semana de Cinema Criança, com sessões destinadas ao público infantil apresenta o filme A invenção de Hugo Cabret” para os estudantes de licenciatura e público interessado.   Nossa intenção é descobrir “os Hugos” perdidos numa grande estação de trem, encontrando na experiência de Martin Scorsese e nas projeções do Cine Clube, uma maneira de continuar com a mágica do cinema para as próximas gerações.                               E quem diria que 117 anos depois da primeira exibição de “A chegada do trem na estação”, a situação de um trem vindo em direção à plateia (desta vez com a ajuda do 3D e com a noção de espaço de Scorsese) ainda seria capaz de causar comoção em um público iludido momentaneamente, pelo poder da imagem em movimento.

REFERÊNCIAS:

www.omelete.uol.com.br/hugo-cabret/…/invencao-de-hugo-cabret-critica/

www.cineplayers.com/critica.php?id=2358

www.jb.com.br/programa/…/02/…/critica-a-invencao-de-hugo-cabret

www.veja.abril.com.br/blog/isabela…/critica-a-invencao-de-hugo-cabret/

www.cineclick.com.br/criticas/ficha/filme/a…de-hugo-cabret/…/2901

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1º Semana de Outubro de 2012

15, outubro, 2012

Hugo Cabret French Poster 225x300 1º Semana de Outubro de 2012DIA: 05/10/12 (sexta-feira)

HORÁRIO: 19h

LOCAL: Auditório Clarice Lispector

FILME: As aventuras de Hugo Cabret (EUA, 2012 -2h6 min)

DIRETOR: Martin Scorsese

COMENTÁRIO: Um desenho enigmático, um caderno valioso, uma chave roubada e um raro autômato estão no centro desta história. O filme é uma emocionante homenagem ao cinema mudo, especialmente, ao precursor dos efeitos especiais e da fantasia representada no cinema, pelo mágico Georges Méliès.

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3º Semana de Outubro de 2012

15, outubro, 2012

topo gato p1 300x115 3º Semana de Outubro de 2012DIA: 19/10/12 (sexta-feira)

HORÁRIO: 19 horas

LOCAL: Auditório Clarice Lispector

Exibição de curtas e documentários premiados no Festival Gato Preto 2011.

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4º Semana de Outubro de 2012

15, outubro, 2012

topo gato p 300x115 4º Semana de Outubro de 2012DIA: 26/10/12 (sexta-feira)

Premiação do VIII CINEFEST/LORENA –Prêmio GATO PRETO – festival de mini-curtas (3min),curtas (5 min) animação (3 min) e documentários( 15 min)

Curiosidade: o Prêmio Gato Preto foi idealizado em homenagem ao Café parisiense (Chat Noir) que exibiu a primeira sessão de cinema, em 28 de dezembro de 1895.

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