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Arquivo de outubro, 2010

Sinopse da Semana: Alice no País das Maravilhas

26, outubro, 2010

Alice no País das Maravilhas (EUA – 2010 )

Direção: Tim Burton

Gênero: Fantasia                                                                                                         Estúdio: Walt Disney Pictures

Roteiro: Linda Woolverton

Produção: Tim Burton, Joe Roth, Jennifer Todd, Suzanne Todd

Elenco : Anne Hathaway, Helena Bonham Carter e Crispin Glover.

Estes personagens carismáticos e fantasiosos que estão na memória de várias gerações.

A literatura e o cinema são linguagens diferentes. Signos, códigos e percepções são diversos. Ambas as linguagens são complexas e podem nos levar a muitos universos.                   Em alguns momentos, os dois universos, de Lewis Carroll e de Tim Burton, unem-se de maneira interessante.

Na adaptação, feita por Linda Woolverton, a maior mudança é a idade da protagonista, Alice. Agora aos 19 anos ela embarca em uma fantástica jornada para encontrar seu verdadeiro destino no reinado de terror da Rainha Copas.

A jovem Alice não vê a menor graça nas obrigações e no modo como deveria se comportar no mundo aristocrático em que vive e, não entende a razão de sonhar sempre os mesmos sonhos todas as noites, desde criança.

Alice no País das Maravilhas é a visão de Tim Burton, inspirada nos dois livros de Lewis Carroll, nos quais se baseia. Porém, não é um, nem outro. O filme conta uma terceira história. Tal qual no começo de tudo, o coelho leva Alice para a toca e o início do que ela acredita ser um sonho, do qual a qualquer minuto irá acordar. Porém, as personagens e as histórias de Carroll se condensam às novas amarrações do roteiro para dar vida a esta nova narrativa.

A Rainha Vermelha continua sendo uma carta insana do baralho, impiedosa e louca por cabeças cortadas. Os soldados fiéis da Rainha Branca são as mesmas peças do velho jogo de xadrez. E, apesar de nunca terem se encontrado na literatura, se enfrentarão na grande tela do cinema.
Alice dificilmente encontrará lá um ambiente idílico e propício para a fuga: seus melhores amigos são seres para lá de bizarros. Caberá a Burton humanizá-los, e essa é uma das melhores coisas do filme. Helena Boham Carter e o gato de Alice, Cheshire, são os maiores destaques. No caso do gato, é o melhor que o 3D trouxe ao filme. Tim Burton, desconfiado da nova tecnologia, não quis filmar com as famosas câmeras 3D . Fez tudo no tradicional e depois converteu o resultado final. Classificação:

Burton prefere os diferentes. Injeta neles uma carga de humanidade que os tira dos estereótipos. Neste Alice no País das Maravilhas, dá contornos impensáveis seja até mesmo para a imaculada Rainha Branca. Seus monstros têm coração, seus loucos, lucidez. Se a Rainha Vermelha é má é porque sofre de solidão e pelo fato de negar sua condição física. As outras personagens não têm esse tipo de problema – riem de si próprios e suas limitações.

Como já notou parte da crítica, de todos as personagens, justamente Alice é que teve o desenvolvimento menos satisfatório. Em pânico por ter de se casar, Alice foge e mais uma vez cai na toca do coelho. Durante sua estadia em Wonderland (ou Underland), vai aprender conhecer a si própria, adquirir auto-confiança e enfim poder voltar à vida real preparada para o que a espera. É decepcionante sim. O melhor do filme está na hipnótica direção de arte, na multidão de pequenos achados que tanto enriquecem seus filmes. O melhor de Tim Burton está nos detalhes.

Após ver o filme, fica ainda mais difícil separar a visão peculiar de mundo e estética do diretor, aliada ao uso correto de toda a tecnologia disponível, do espetáculo visual. Para o espectador, Alice no País das Maravilhas é uma experiência sensorial fantástica.

Tão importante quanto à própria protagonista é o papel do Chapeleiro Maluco (Johnny Depp). Fundamental na trama, ele é o primeiro a reconhecer que a garota de hoje é a mesma Alice de antes. Ele será seu companheiro nesta jornada e a ajudará a entender a dinâmica daquele estranho mundo e suas criaturas.
A opção por uma narrativa fundamentada na jornada do herói nos faz pensar em duas coisas: Alice é mais velha e está em um mundo em conflito, no qual o entendimento de sua essência aventureira é determinante para a redenção; além disso, quem nunca leu nenhum dos livros vai se divertir com uma grande aventura. Aí vem o segundo ponto: ao trilhar este caminho e ter êxito, o roteiro e a direção simplificaram a história e se perdeu justamente o caráter delicioso da obra de Lewis Carroll – a anarquia e o escárnio.

O filme é enxuto quanto as canções e poesias. O Chapeleiro, num momento de muita seriedade e perigo iminente, recita um trecho de Jaguadarte, mas seu jogo de palavras e termos, brilhantemente escrito pelo autor, em 1871, para a segunda aventura de Alice e considerado um dos maiores poemas nonsense da literatura, ficam inexplicados. Os trocadilhos e piadas também ficam reduzidos para o entendimento do todo.

As novidades dessa versão concentram-se no aspecto do formato, afinal, mesmo com roteiro diferente do livro, os elementos são os mesmos. Alice, as Rainhas – Branca e de Copas -, o Chapeleiro Maluco, o Coelho Branco e demais personagens do mundo maluco e tresloucado conhecido como País das Maravilhas.

A própria história busca sua maturidade. Alice não foge apenas das pressões de uma sociedade machista, mas corre em busca do passado idílico, no qual a presença do pai a confortava. Nesse mesmo passado existe a lembrança de um sonho maluco: o País das Maravilhas.

Precisamos crescer quando entramos na escola, precisamos amadurecer rápido demais, aprendemos a torcer cada vez mais pela maioridade e, aí, precisamos crescer e amadurecer novamente, afinal, os ciclos anteriores não foram suficientes ou serviram apenas àqueles momentos. Isso quando não resolvemos fazer tudo de novo aos 40 e em todas as outras crises da meia e da maior idade.

Respiramos, logo amadurecemos. É a condição humana. É a história de Alice no País das Maravilhas, livro que nasceu clássico pelas mãos de um matemático com o dom lingüístico em 1865.

Aprenda seu passado, aprimore o futuro. Mas nesse caso, os períodos voltam a se encontrar quando Alice despenca buraco abaixo. É o início de sua nova jornada, menos formativa que as anteriores, mais definitiva por seu momento pessoal. Toda pessoa boa é meio louca, diz o pai de Alice. Está certo. Imaginação e criatividade valem mais que qualquer convenção social quando se sonha com algo mais que uma vida trivial.

Tim Burton considera uma mistura de contos de fadas com história de terror, acontecendo de forma independente ao original da Lewis Carroll. Já Linda Woolverton, a roteirista, tem outra opinião: “é uma continuação; uma história revisionista, ou melhor, um exemplar do nonsense cinematográfico”, disse à revista Script. Essa dissonância criativa mesmo entre os criadores da obra reforça uma das maiores qualidades dos contos de fadas: pluralidade de interpretações.

A história de Alice nasceu como conto infantil, evoluiu para uma complexa provocação matemática e consolidou-se por sua capacidade semântica e criativa. Tudo para instigar as mentes juvenis da virada do século 19, quando o mundo ainda precisava ser explorado e a vida era difícil, mesmo para uma burguesia limitada por seus portões de aço ou mansões cercadas pela pobreza do proletário industrial.

As barreiras modernas são outras e o amadurecimento de Alice caminha na direção da independência – pessoal, sexual, comportamental. É a jovem atual e, no mundo virtual de seus sonhos, pode tudo. Muda de tamanho, de visual, de idéia, de postura e precisa matar um monstro por dia. Alice não é mais menininha e não há príncipe encantado vindo salvá-la, pelo contrário, só ela pode decidir o destino do País das Maravilhas.

Mas há conforto no nonsense lexical e comportamental do Chapeleiro Maluco. Muito mais amargurado e saudoso do que maluco, aliás. Um homem perdido no tempo, desprovido de função, numa eterna cerimônia sem propósito.

Por ser uma história seminal e extremamente influente, Alice requer cuidados em seus paralelismos. Não é ela quem se espelha no mundo atual, ao contrário, é nossa modernidade que encontra raízes nos dilemas da pequena sonhadora. Quase adulta na nova versão, enfrente dilemas tão atuais em 1865 quanto em 2010. Mudam-se os formatos e nomes, porém, o ser humano é o mesmo. Assim como suas mazelas.

Tim Burton coloca sua assinatura em Alice no País das Maravilhas, mas, dessa vez, ele se comporta como espectador, em vez de maestro. Permite que esse mundo se desenvolva e assiste de camarote, ao maior dos espetáculos: ver a nossa reação a essa espiadela num lugar onde nada é o que parece e tudo pode acontecer, contanto que você não perca a cabeça.

Helena Bonham Carter acaba roubando o filme sempre que surge como a Rainha Vermelha, concebendo a vilã como uma criatura mimada cuja crueldade serve apenas para ocultar sua terrível insegurança. Abusando de todos os animais do reino (os morcegos usados para carregar os lustres são um toque particularmente divertido), a Rainha consegue se tornar bem mais complexa que todos os seus parceiros de cena, sendo hábil também em provocar o riso e em sugerir traumas de infância que, resultantes de sua imensa cabeça, parecem ter plantado as sementes de sua tirania.

A qualidade da produção, os cenários computadorizados, os figurinos maravilhosos (reparem na quantidade de trocas de roupa de Alice) e o cuidado com os efeitos 3D ressaltam e fazem deste um programa bem divertido e que fará os adultos reviverem a imaginação – e o medo dos personagens – da época em que leram os livros de Lewis Carroll.

A trilha sonora instrumental do filme foi composta pelo Danny Elfman que já contribuiu diversas vezes com o diretor Tim Burton. Já a trilha cantada contou com a participação de diversos cantores e bandas, incluindo Robert Smith, Tokio Hotel, Avril Lavigne e All Time Low, 3OH!3. A música-tema do longa é a canção “Alice”, da cantora Avril Lavigne.

Tim Burton assume-se mais uma vez como um mestre no seu ofício de criar maravilhosos mundos. Alice no País das Maravilhas é um filme delicioso capaz de agradar a qualquer pessoa dos 8 aos 80 anos.

Referências:

http://www.cineplayers.com/critica.php?id=1865

http://cinema.cineclick.uol.com.br/criticas/ficha/filme/alice-no-pais-das-maravilhas-2010/id/2422

http://www.soshollywood.com.br/alice-critica/

http://cinemacomrapadura.com.br/filmes/3589/alice-no-pais-das-maravilhas-2010/

http://poppop.com.br/filmes/alice-no-pais-das-maravilhas-trailer-sinopse-estreia-em-2010/

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Programação de Outubro: 1ªsemana

20, outubro, 2010

Dia: 01/10/10 (sexta-feira)
Horário:
19h30
Local: Auditório Clarice Lispector
Mostra de animações premiadas nos festivais anteriores.

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Programação de Outubro: 2ªsemana

20, outubro, 2010

Dia: 07/10/10 (quinta-feira)
Horário: 20h30
Local: Auditório Clarice Lispector
Mostra de mini-curtas premiadas nos festivais anteriores.

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Programação de Outubro: 3ªsemana

20, outubro, 2010

Dia: 14/10/10 (quinta-feira)
Horário: 20h30
Local: Auditório Clarice Lispector
Mostra de curtas e documentários premiados nos festivais anteriores.

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